25 A 29 DE JUNHO . LA RURAL
19 FEIRA DE ARTE CONTEMPORÂNEO . EDIÇÃO BICENTENÁRIO
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Bicentenários: depois da invenção

Já se afirmou que a América Latina não foi descoberta e conquistada, mas inventada pelos colonizadores europeus que chegaram nos séculos XV e XVI. Nossa aproximação à celebração dos bicentenários da independência de um conjunto de nações, que se separaram da metrópole espanhola no século XIX para ser livres e autodeterminadas, parte da dificuldade de pensar hoje na ideia de nação como uma definição estável e unificadora. Mesmo reconhecendo os vínculos criados por um passado colonial e uma língua comum, e identificando os problemas compartilhados pelo fato de serem sociedades periféricas, estes fatores não são operativos para homogeneizar as enormes diferenças de países caracterizados pelo termo geopolítico de América Latina.

Uma vez detectadas estas dificuldades, consideramos uma série de tópicos debatidos nas artes visuais do final do século XX, que situam esta discussão em um contexto regional mais amplo que aquele oferecido nos confins do Estado-Nação. O âmbito da celebração proposto abarca os nacionalismos e os mitos emancipatórios de comunidades imaginárias de países com diversos processos e estágios de modernização. Prevemos refletir sobre as modalidades do público e do privado, as teorias de autodeterminação transferidas ao discurso visual e a aparição dos conceitualismos a partir dos anos ’60, com seu afã de inventariar a história para mostrar as fissuras das construções de poder.

1. Sexta-feira, 25 de junho

Teorias da (In)dependência (das 18h às 20h)
Nicolás Guagnini (artista residente em Nova Iorque), Taiyana Pimentel (crítica de arte, curadora e diretora da Sala de Arte Pública Siqueiros, México D.F) e Pablo Vargas Lugo (artista residente em Lima), moderados por Beverly Adams (curadora da coleção Diane and Bruce Halle Collection of Latin American Art, Phoenix, Estados Unidos) e Gabriela Rangel (diretora de artes visuais e curadora de Americas Society, Nova Iorque, Estados Unidos).

Durante a década de ’50, um grupo de destacados teóricos sulamericanos desenvolveu a chamada “teoria da dependência” para explicar as condições de subdesenvolvimento da América Latina vis-à-vis o desequilíbrio político existente nos mercados internacionais e a acumulação de riqueza hegemônica por parte dos países industrializados. Ainda que a teoria da dependência tenha sido elaborada no campo da economia e das ciências sociais, esta teoria influenciou boa parte dos debates sobre arte, política e periferia que se desenvolveram nos anos ’60 e ’70 à luz dos movimentos revolucionários surgidos a partir da revolução cubana. A crítica Marta Traba, em particular, subscreveu posturas contextualizadas por este corpus teórico. Os membros deste painel vão discutir práticas artísticas centradas em temáticas sociais adiantadas por artistas contemporâneos da América Latina nas atuais condições da economia globalizada. Até que ponto tais manifestações evocam problemáticas regionais discutidas naquele período?

2. Sábado, 26 de junho
A imagem emancipada? (das 18h às 20h).
Marcelo Brodsky (artista, Buenos Aires), Eduardo Gil (artista residente em Nova Iorque) e Carlos Motta (artista residente em Nova Iorque), moderados por Beverly Adams e Gabriela Rangel.

Desde os anos ’60, os conceitualismos surgidos globalmente unificaram procedimentos de arquivo em diferentes contextos culturais e momentos históricos, criando uma espécie de língua franca homogeneizadora ou estética da burocracia. Por outro lado, a obsessão dos conceitualismos pelo arquivo como procedimento para examinar a construção das modernidades mostrou genealogias da diferença através daquelas práticas artísticas baseadas nas atrofias da memória que se desenvolveram em países como a Colômbia ou a Venezuela. Os participantes deste painel discutirão suas práticas ao confrontar diversos modelos de arquivo, nos quais o fato histórico e suas mitologias se configuram como ficções e mitos.

3. Domingo, 27 de junho
O fantasma do público (das 18h às 20h).
Montserrat Albores Gleason (curadora e fundadora do Espaço Petra, México D.F), Isabel García (curadora, Santiago do Chile), Tahía Rivero (curadora da Coleção Banco Mercantil, Caracas), moderadas por Michele Faguet (crítica de arte, Berlim).

A aparição de espaços culturais privados e galerias de arte contemporânea subsidiadas por indivíduos ou corporações na América Latina criaram modelos alternativos de gestão, estimulados a partir de processos de privatização iniciados nas indústrias básicas e no setor de bens e serviços de muitos desses países na última década. Esta situação tomou o pulso da ausência de uma filantropia estatal para as artes ou da perda de apoio do setor cultural em países com uma forte tradição e infra-estrutura institucional filantrópica para as artes. Estes espaços, muitos deles dirigidos por artistas, alcançaram importância à medida que substituíram, em suas funções programáticas, os museus e centros culturais. Os expositores deste painel, gestores de espaços alternativos, críticos e curadores, desenvolverão uma discussão sobre o peso que o Estado continua exercendo como gerador de uma função pública no imaginário nacional. Serão discutidos em particular os casos da Colômbia, do Chile, do México e da Venezuela.

Desenho, redação dos temas e seleção dos participantes: Gabriela Rangel (diretora de artes visuais da Americas Society, Nova Iorque, Estados Unidos).

No âmbito do presente programa serão projetados no stand H63 do pavilhão Azul dois vídeos selecionados por Gabriela Rangel dos artistas participantes do foro: Eduardo Gil e Carlos Motta.